
Publicado em: — www.gov.br
A Receita Federal, o Ministério Público Federal e o Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul deflagraram nesta terça-feira (22/09/2026) a Operação Perfume de Mulher. A ação tem como objetivo desarticular suposta organização criminosa investigada pelos crimes de descaminho, evasão de divisas e lavagem de capitais, com atuação nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco.
Contexto
O mercado ilegal de perfumes importados causa prejuízos significativos à arrecadação tributária, à livre concorrência e à economia formal. Estudos e levantamentos recentes apontam que os perfumes estrangeiros figuram entre os produtos descaminhados mais comercializados no Brasil, ao lado de outros bens de elevado valor agregado e grande demanda no mercado consumidor. As investigações identificaram a suposta existência de uma estrutura organizada dedicada à introdução clandestina de perfumes provenientes do Paraguai, com posterior distribuição para consumidores em diversas regiões do país.
Início das investigações
As apurações decorreram da atuação integrada dos órgãos de investigação e controle, que permitiu identificar diversas apreensões relacionadas ao grupo criminoso entre os anos de 2024 e 2026. Nesse período, foram registradas mais de 20 apreensões vinculadas ao esquema, incluindo uma ação realizada em outubro de 2025, que resultou na retenção de aproximadamente R$ 10 milhões em perfumes importados irregularmente.
Modus operandi
Segundo os elementos apurados, os perfumes, sobretudo da linha árabe, ingressavam clandestinamente no território nacional pela região de fronteira de Ponta Porã/MS. Após a internalização irregular, as mercadorias eram armazenadas em depósitos clandestinos, inicialmente em Campo Grande/MS, e posteriormente, em outros centros de distribuição sediados em São Paulo e Pernambuco. A partir desses pontos, as mercadorias eram distribuídas para várias unidades da federação. As vendas eram realizadas principalmente por meio de redes sociais, marketplaces e plataformas de comércio eletrônico, havendo a participação de influencers para impulsionar a divulgação. Em um de seus sites, o grupo se intitulava “a maior referência em perfumaria árabe do Brasil”, contando com inúmeras revendas no país.
As investigações indicam que o grupo utilizava notas fiscais inidôneas, declarações de conteúdo falsas e diversas pessoas jurídicas para conferir aparência de legalidade às operações comerciais. Também foram identificados indícios de lavagem de dinheiro por intermédio de empresas de fachada, utilização de interpostas pessoas, ocultação patrimonial e movimentações financeiras incompatíveis com a capacidade econômica dos investigados. Os elementos reunidos apontam ainda para a utilização de criptoativos em negociações com fornecedores localizados no exterior.
As análises financeiras realizadas identificaram movimentação superior a R$ 300 milhões em contas bancárias relacionadas aos investigados, evidenciando a dimensão econômica da organização criminosa.
A operação
Por determinação da 3ª Vara Federal de Campo Grande, estão sendo cumpridos 16 mandados de busca e apreensão nos estados de Mato Grosso do Sul, São Paulo e Pernambuco. A decisão judicial também autorizou a apreensão de bens vinculados aos investigados até o limite de R$ 100 milhões, inclusive criptoativos. Foi determinada ainda a prisão da responsável por toda a coordenação das atividades.
Participam da ação:
50 auditores-fiscais e analistas tributários da Receita Federal do Brasil;
50 integrantes do Ministério Público Federal; e
30 integrantes do Ministério Público do Estado de Mato Grosso do Sul.
Essa foi a primeira operação deflagrada no Estado do Mato Grosso do Sul com a participação simultânea de Receita Federal, GAECO-MPF e GAECO-MPE/MS.
Mais informações podem ser obtidas junto às equipes de comunicação da Receita Federal (67-99983 7129) e do MPF (67 99142-3976).
Entenda o caso:
Fonte:
www.gov.br