Iniciativa integra a quarta edição da Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação do TRT-SC
Cerca de 50 trabalhadoras e trabalhadores terceirizados do TRT-SC participaram, na quarta-feira (6/5), da palestra “Conhecer para prevenir”, uma das ações da 4ª Semana de Combate ao Assédio e à Discriminação promovida pela instituição.
Ministrada pela psicóloga Elaine Silva, da Coordenadoria de Saúde do tribunal, o evento teve uma abordagem educacional. Ela explicou os conceitos de assédio, principais tipos e consequências para o agressor, para a vítima e também para a organização que se omite nessas situações.
Tipos de Assédio e Discriminação
Durante a exposição, a psicóloga utilizou conceitos de uma publicação do Tribunal Superior do Trabalho (TST) para definir o assédio como um conjunto de práticas inaceitáveis que causam danos físicos, psicológicos ou financeiros. Elaine Silva enfatizou que o conceito moderno é amplo e abrange não apenas a hierarquia direta (chefe e subordinado), mas também condutas entre colegas de mesmo nível.
Um dos pontos centrais foi a diferenciação entre as modalidades de violência:
Assédio Moral: Caracteriza-se pela exposição repetitiva a situações humilhantes, como o isolamento do trabalhador, a privação de informações necessárias para a tarefa ou a atribuição de punições vexatórias.
Assédio Sexual: Condutas de conotação sexual não consentidas, que podem ocorrer por meio de palavras, gestos, contatos físicos indesejados ou convites impertinentes que acuem a vítima.
Discriminação: Exclusão ou tratamento diferenciado baseado em raça, gênero, orientação sexual, deficiência ou idade. Elaine alertou para o “racismo recreativo” e piadas de cunho discriminatório que, embora mascaradas de humor, geram profundo sofrimento psíquico.
Impactos na Saúde e no Trabalho
A palestrante alertou que o assédio coloca o trabalhador em um estado de alerta constante, semelhante ao “estar diante de um leão sem ter para onde fugir”. As consequências para a saúde incluem palpitações, distúrbios do sono, depressão, síndrome do pânico e, em casos extremos, risco de suicídio.
Para as organizações, o impacto é direto na produtividade, com aumento de erros, acidentes de trabalho e rotatividade de pessoal, além de riscos jurídicos e danos à imagem da instituição.
O que não é assédio?
Para evitar equívocos, a psicóloga também esclareceu o que não caracteriza assédio: cobranças de metas alcançáveis, críticas construtivas, conflitos pontuais de opinião e exigências profissionais comuns ao cargo. “Conflitos fazem parte da convivência humana, é normal. O assédio, porém, começa quando há um processo de adoecimento e desmerecimento proposital do outro”, pontuou.
Canais de Apoio
Ao final, foram apresentados os canais de denúncia disponíveis. Além da Ouvidoria do TRT-SC, localizada no prédio-sede, em Florianópolis, os trabalhadores terceirizados foram orientados a buscar apoio em órgãos externos, como o Centro de Referência em Saúde do Trabalhador (Cerest) — unidade do SUS especializada em doenças ocupacionais —, sindicatos e o Ministério do Trabalho e Emprego.
“Espero que essa palestra tenha aumentado o repertório de vocês, para que saibam se posicionar com respeito nas relações de trabalho e se defenderem de situações de violência”, concluiu Elaine Silva.
Fonte: TRT-12

